OS VELHOS
de D. João da Câmara
Leitura Encenada
Introdução de Luiz Francisco Rebello
Direcção de actores de Maria do Céu Guerra
Distribuição de actores
Quando representado pela primeira vez, no Teatro de D. Maria II, em 11 de Março de 1893. | Na Leitura Encenada, por A |
Manuel Patacas – Eduardo Brasão | |
Prior – João Rosa | João d’Ávila |
Bento – Joaquim Costa | Jorge Gomes |
Porfírio – Augusto Antunes | |
Júlio – Ferreira da Silva | Ruben Garcia |
Emília – Virgínia | |
Ana – Emília Lopes | Rita Fernandes |
Narcisa – Emília Cândido | Paula Coelho |
Emilinha – Rosa Damasceno | Vânia Naia |
Surpreendentemente, a que para muitos é a melhor peça de D. João da Câmara e um texto de referencia obrigatória da nossa dramaturgia, foi recebida com indiferença pelo público e pela crítica, desconcertados pela simplicidade da acção e da linguagem, que tanto se distanciavam dos embrulhados enredos e das estridências retóricas a que estavam habituados. Só em 1906, quando voltou a ser representada lhe foi reconhecido o seu justo valor.
Em 1893, o naturalismo ainda não se tinha imposto nos palcos portugueses.
Que novidade trouxe esta comédia à cena portuguesa?
Antes de mais, a exactidão do quadro em que a acção transcorre, uma aldeia do Alto Alentejo, irá ser atravessada pela via férrea; além disso, a perfeita caracterização socio-psicológica das personagens, pequenos proprietários rurais, a princípio indignados com a expropriação das suas terras, sacrificadas (dirá o Prior) à “Besta do Apocalipse, a vomitar lume por esses campos agora tão quietinhos”, mas a breve trecho dispostos a ouvir “no silvo da locomotiva o hino do progresso”… retrato fiel do país rural que Portugal então era, e que por muito mais tempo continuou a ser.
Os Velhos põe em cena uma animada galeria de criaturas reais, captadas na diversidade dos seus temperamentos, obsessões e afectos, bem longe da visão estereotipada e maniqueísta patenteada em obras anteriores de ambiente idêntico.
Foi a partir desta obra que a estética naturalista se impôs nos palcos portugueses. A verosimilhança das personagens combina habilmente o sentimentalismo que impregna a acção da peça, compõe um tecido em que se enleiam os fios de um discreto lirismo, uma suave ironia, uma esparsa e resignada melancolia.
(in Luiz Francisco Rebello, O essencial sobre D. João da Câmara, IN- Casa da Moeda, Lisboa, 2006)

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