quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

CARTAS DE PESSOA E OFÉLIA

Comentário de uma professora da Escola Secundária Passos Manuel (Dra. Vera Cruz)

De: Vera Cruz
Enviada: terça-feira, 25 de Janeiro de 2011 23:27
Para: barraca@mail.telepac.pt
Cc: producao
Assunto: Re: TERÇAS A LER

Exma Srª e Direcção do Teatro A Barraca,

Só posso dizer-lhes 3 palavras: Fabuloso, Fantástico e Magnifico!

Gostámos imenso e prometemos voltar sempre que nos seja possível.
Muitos parabéns por este vosso projecto e muito obrigada por esta maravilhosa oportunidade que nos deram!
Obrigada!

Vamos voltar com toda a certeza!
OS VELHOS
de D. João da Câmara

Leitura Encenada

Introdução de Luiz Francisco Rebello
Direcção de actores de Maria do Céu Guerra


Distribuição de actores

Quando representado pela primeira vez, no Teatro de D. Maria II,
em 11 de Março de 1893.

Na Leitura Encenada, por A Barraca, no Teatro Cinearte, na estreia do Programa Terças A Ler, a 25 de Janeiro de 2011

Manuel Patacas – Eduardo Brasão
Pedro Borges
Prior – João Rosa
João d’Ávila
Bento – Joaquim Costa
Jorge Gomes
Porfírio – Augusto Antunes
Adérito Lopes
Júlio – Ferreira da Silva
Ruben Garcia
Emília – Virgínia
Maria do Céu Guerra
Ana – Emília Lopes
Rita Fernandes
Narcisa – Emília Cândido
Paula Coelho
Emilinha – Rosa Damasceno
Vânia Naia



Surpreendentemente, a que para muitos é a melhor peça de D. João da Câmara e um texto de referencia obrigatória da nossa dramaturgia, foi recebida com indiferença pelo público e pela crítica, desconcertados pela simplicidade da acção e da linguagem, que tanto se distanciavam dos embrulhados enredos e das estridências retóricas a que estavam habituados. Só em 1906, quando voltou a ser representada lhe foi reconhecido o seu justo valor.
Em 1893, o naturalismo ainda não se tinha imposto nos palcos portugueses.
Que novidade trouxe esta comédia à cena portuguesa?
Antes de mais, a exactidão do quadro em que a acção transcorre, uma aldeia do Alto Alentejo, irá ser atravessada pela via férrea; além disso, a perfeita caracterização socio-psicológica das personagens, pequenos proprietários rurais, a princípio indignados com a expropriação das suas terras, sacrificadas (dirá o Prior) à “Besta do Apocalipse, a vomitar lume por esses campos agora tão quietinhos”, mas a breve trecho dispostos a ouvir “no silvo da locomotiva o hino do progresso”… retrato fiel do país rural que Portugal então era, e que por muito mais tempo continuou a ser.
Os Velhos põe em cena uma animada galeria de criaturas reais, captadas na diversidade dos seus temperamentos, obsessões e afectos, bem longe da visão estereotipada e maniqueísta patenteada em obras anteriores de ambiente idêntico.
Foi a partir desta obra que a estética naturalista se impôs nos palcos portugueses. A verosimilhança das personagens combina habilmente o sentimentalismo que impregna a acção da peça, compõe um tecido em que se enleiam os fios de um discreto lirismo, uma suave ironia, uma esparsa e resignada melancolia.

(in Luiz Francisco Rebello, O essencial sobre D. João da Câmara, IN- Casa da Moeda, Lisboa, 2006)